Se acompanhas as competições de salto de obstáculos, certamente reparaste que a maioria dos cavalos tem uma aba larga de couro presa à cilha por baixo da barriga. É a chamada cilha com abas (guarda-barriga). Embora a um leigo possa parecer uma peça de equipamento extra e pesada, para um cavalo que salta obstáculos é o que um protetor de peito é para um jogador de hóquei – uma barreira contra uma lesão dolorosa.
Porque é que uma cilha comum e estreita muitas vezes não chega no salto? A resposta está na mecânica do salto e no equipamento do cavalo.
1. Os cravos – os maiores inimigos do esterno
A principal razão para usar uma cilha com abas são os cravos. Durante as competições ou o treino na relva (e muitas vezes também na areia), enroscamos pregos metálicos nas ferraduras para evitar que o cavalo escorregue.
Durante o salto, quando o cavalo dobra fortemente as patas dianteiras sob o peito para não bater nas barras, as ferraduras com cravos ficam a centímetros do esterno. No momento da receção ou de um arranque súbito, o cavalo pode bater com um casco diretamente na própria barriga. Sem a proteção da aba, os cravos afiados podem causar feridas profundas, contusões dolorosas e até fraturas do esterno.
2. Distribuição da pressão sob carga elevada
Durante o salto, a sela e o cavaleiro estão sujeitos a enormes forças de inércia. Uma cilha de salto com aba tem uma superfície de contacto com o corpo do cavalo muito maior do que um modelo clássico.
- Conforto: A aba larga de couro distribui a pressão por uma área maior do peito.
- Estabilidade: A aba estabiliza a sela, evitando que deslize para trás durante saltos dinâmicos, o que é fundamental para manter o equilíbrio do cavaleiro.
3. Não só os cravos – proteção contra o embate numa barra
Mesmo que o teu cavalo não use cravos, a aba funciona como um escudo. Em caso de erro num obstáculo e embate da barriga contra uma barra (sobretudo em obstáculos do tipo oxer), a cilha larga amortece o impacto, protegendo os órgãos internos sensíveis e o esterno de lesões mecânicas.
4. Quando começar a usar uma cilha com abas?
Muitos cavaleiros perguntam se este equipamento é necessário nos níveis mais baixos.
- A regra é simples: Se o teu cavalo dobra fortemente as patas dianteiras («bascula») e usas cravos – uma cilha com abas é obrigatória, independentemente da altura dos obstáculos.
- Se o cavalo tende a bater com os cascos na barriga durante o movimento, a aba protegê-lo-á da dor que poderia desencorajá-lo de saltar limpo.
Resumo
Uma cilha de salto com aba é um investimento na saúde e na confiança do cavalo. Um cavalo que uma vez bateu dolorosamente com os cravos na barriga pode começar a «derrubar» obstáculos ou a recusar saltos por medo da dor. Ao usar uma aba, eliminas este risco, permitindo ao animal concentrar-se apenas na tarefa.
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